Ao lançar o S60 no Brasil, a Volvo fez questão de evocar seu aspecto mais esportivo, e desde então o divulga como “sedã atrevido”. Com o V60 a estratégia é semelhante. Além de se valer das belas linhas do sedã até a coluna B, ainda tem uma bela traseira sem ângulos de 90° e um comportamento dinâmico que justifica o apelido de Sportswagon dado pela fabricante de Gotemburgo.

O aspecto mais esportivo é o cartão de visitas do V60, principalmente no Brasil onde todas as três versões disponíveis contam com o pacote R-Design, composto por para-choque e grade esportiva em acabamento black piano na dianteira e extratores de ar e saídas duplas de escapamento na traseira, frisos de alumínio emoldurando os vidros laterais, capas de retrovisores também em alumínio e belas rodas de 18 polegadas. Ainda disponibilizam dois modelos opcionais, também de 18”, que custam R$ 2.329 cada uma, mas que não caem tão bem quanto as originais com parte pintada de grafite. O chassi dos R-Line ainda recebe ajustes, inclusive barra transversal sob o capô, para melhorar o comportamento dinâmico.

Sinônimo de perua esportiva 20 anos atrás, o Volvo 850 T5-R, tinha motor 2.3 de cinco cilindros que gerava 240 cavalos. Apesar de não ter cinco cilindros, o emblema T5 também identificava o motor 2.0 de quatro cilindros turbo presente nas versões de entrada e intermediária do V60 também gera 240 cavalos. Se trata do mesmo EcoBoost presente no Range Rover Evoque e que em breve será visto no Fusion. Toda sua potência aparece aos 5.500 rpm e os 32,6 mkgf de torque aparecem totalmente entre 1.800 e 5.000 rpm, e quem comanda é o câmbio automatizado de dupla embreagem Powershift de seis velocidades, com opção de troca manual através da alavanca. Com este conjunto o V60 é esperto e alcança os 100 km/h em apenas 8,1 segundos.O Volvo V60 Comfort é a versão de entrada, que custa R$ 130.900. Ela traz de série itens de conforto como ar-condicionado digital, sistema de áudio de alta performance, com oito alto falantes e conexões para iPod, bancos e volante esportivos revestidos de couro, além de sistema City Safety, que agora atua em velocidades de até 50 km/h, airbags laterais e frontais, freios ABS com EBA, controle anticapotamento (RSC), de tração e de estabilidade (DSTC), bem como o freio de estacionamento elétrico. Em seguida aparece a versão Dynamic, que custa R$ 149.900 e incorpora sensores crepuscular e de chuva, faróis de xênon adaptativos que aumentam a visibilidade do motorista em curvas, banco elétrico com memórias para o motorista, teto solar elétrico, além dos equipamentos já citados.

Na mão

Foi esta segunda versão que tive a oportunidade de dirigir por trechos de ida e volta entre São Paulo e Porto Feliz. É a estrada o habitat do V60, principalmente quando o asfalto é bom, como o da Rodovia Castelo Branco. A suspensão suspensão firme se comporta bem e garante conforto acústico que chega a ser ensurdecedor em velocidade de cruzeiro. A sugestão é ligar o bom sistema de som com oito alto-falantes. Em vias não tão boas, com ondulações e buracos, batidas secas são percebidas. Um dos agravantes pode ser os finos pneus Continental que calçam as rodas de 18 polegadas. Se barulhos do tipo lhe causam calafrios, aumente o volume do som.Se dá conta de modelos maiores, o 2.0 EcoBoost cumpre bem o dever de puxar os 1.568 kg do Sportswagon, distribuídos em 4,63 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,48 m de altura e 2,78 m de entre-eixos. Puxar, pois a tração é dianteira, e sempre garantida por “x³” sistemas de segurança ativa – é um Volvo, oras! -, principalmente os ligados ao chamado controle avançado de estabilidade, como o controle de tração em curvas que faz às vezes de um sistema de bloqueio do diferencial freando as rodas internas nas curvas, enviando mais mais força para a roda externa. Mas nota-se sua atuação até mesmo em retas em dados momentos. Bom é que a direção é bastante direta, característica de bons carros alemães. Seus concorrentes são alemães, afinal.

O câmbio Powershift gosta de trabalhar com o motor de forma que este atue de forma mais frugal, elevando as marchas o mais rápido possível, buscando sempre manter o giro próximo aos 2.000 rpm. E rapidamente a sexta marcha será engatada, e ela por sinal é real. Mas se você pisar no acelerador com convicção imediatamente suas costelas sentirão os 32,6 kgfm de torque, as trocas acontecerão mais tarde e o motor será mais explorado. No caso de uma retomada, antes mesmo de o botão de kick-down ser pressionado o câmbio já poderá ter reduzido até duas marchas.Mas uma característica desta transmissão é que ela hesita na hora de arrancar. Demora alguns instantes para a embreagem acoplar e enviar tração às rodas, algo que se nota em sistemas automatizados de embreagem única. Também nota-se um certo atraso em relação aos comandos sequenciais, através da alavanca, pois não há borboletas atrás do volante. Mas tenho que ser franco: em movimento o conjunto de dupla embreagem é competente, realizando trocas relativamente rápidas – ei, não é um esportivo! – e suaves.

A vida à bordo é boa. O motorista tem à disposição a maioria dos ajustes do banco elétricos, além do volante regulável em altura e profundidade. O console central “flutuante”, que particularmente acho sensacional, concentra comandos de forma ergonômica, porém requer certo conhecimento do que se está fazendo, para não errar o botão.Para os passageiros o conforto é bom. Há saídas de ar-condicionado nas colunas B para quem vai atrás, e apesar do banco traseiro ser um tanto baixo, há espaço de sobra para a cabeça graças a um ressalto no teto que começa após o teto-solar. Vale ressaltar que o 5° passageiro tem direito a cinto de três pontos e encosto de cabeça retrátil. No entanto, o porta-malas tem 430L de capacidade até o vidro, praticamente o mesmo volume de um Weekend.

O mais caro

Recheado de tecnologia embarcada, a versão T6 do Volvo V60 é também a mais cara, e deverá responder por apenas 10% das 100 unidades previstas para serem vendidas até o final deste ano. Custa R$ 199.900 e vem da fábrica com motor 3.0 turbo, de seis cilindros em linha, com injeção direta e 304 cv (5.600 rpm) e 44,9 mkgf de torque (entre 2.100 rpm e 4.200 rpm), acoplado à transmissão automática Geartronic de seis velocidades e com opção de trocas sequenciais. O modelo tem o diferencial da tração integral e acelera de 0 a 100 km/h em apenas 6,2 segundos.A versão T6 R-Design AWD traz, além dos equipamentos dos T5, piloto automático adaptativo – que controla a velocidade e a distância do carro da frente, automaticamente – sistema de áudio mais aprimorado, com tela de sete polegadas, DVD e GPS (opcional para os T5), bancos elétricos e com memória para motorista e passageiro, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, com câmera de ré que sinaliza os obstáculos e indica a direção, de acordo com o ângulo da direção. Há também o sistema Pedestrian Detector, que indica a presença de pedestres na frente do veículo, freando o carro automaticamente para minimizar os riscos de um atropelamento, sistema de assistente de faixa, que alerta o motorista para mudanças de faixa involuntárias, e o leitor de placas de sinalização, que indica ao condutor se ele está acima do limite de velocidade da via.

Todas as versões do novo Volvo V60 vêm equipadas com o sistema Volvo On Call, que, em caso de acidente, como uma colisão grave, liga automaticamente para o serviço de emergência para solicitar resgate. No momento ele só opera 100% em São Paulo, mas até o ano que vem cobrirá o Brasil todo. A Volvo ainda promete uma novidade associada ao sistema para o , onde também será apresentado o V40.O Volvo V60 não é exatamente uma perua esportiva, mas se comporta bem o suficiente para não ser tratado como uma perua qualquer. É capaz de fazer felizes pais e mães de família, e uma opção interessante e até mesmo mais em conta que os alemães Audi A4 Avant e Mercedes Classe C Touring – o novo BMW Série 3 Touring não deverá vir. Ao meu ver, também muito mais bonito.


Viagem à convite da Volvo do Brasil

Fotos | Henrique Rodriguez, Mario Villascusa

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