Chevrolet Cruze Sport6 é o maior hatch médio do segmento e as linhas da carroceria agradam ao público. Motor 1.4 turbo flex tem bom desempenho, sem empolgar. Leia o teste

Por Paulo Eduardo

Se tamanho é documento, o Cruze não deixa dúvida. Grande por fora e por dentro. As linhas da carroceria, com frente baixa e grade estreita, além de faróis afilados, compõem tendência atual de estilo. A linha de cintura é ascendente no sentido da traseira e a caída brusca do teto forma arco. A traseira robusta lembra a dos utilitários-esportivos, com o aplique plástico em cinza escuro na base do para-choque traseiro levantando o carro, que parece grudado no chão com pneus largos (215/50) montados nas belas rodas aro 17. A saída falsa de escapamento é grande. Essa esportividade toda contrasta com o excesso de cromados no contorno dos vidros das portas, na grade frontal e tampa traseira. Curiosamente, a versão de entrada LT tem acabamento mais sóbrio e esportivo. Sem cromados. Laterais são lisas com ressalto marcante e pronunciado na altura das maçanetas, seguindo a linha ascendente até a traseira.

Espaço traseiro

Espaço não falta aos ocupantes do banco traseiro, que não foram contemplados com saída de ar-condicionado. Isso não pode faltar em carro dessa categoria. Se a caída do teto incrementa o visual, com certeza limita espaço para passageiros de maior estatura. O espaço excelente para pernas e ombros contrasta com o limite para a cabeça. Esse tipo de carroceria implica em menor visibilidade atrás, porém indica que os retrovisores serão peça de museu em breve. O espelho dará lugar à câmera, que abrange campo visual bem mais amplo. A maioria dos carros-conceito exibida nos salões em todo o mundo costuma ter câmera em vez de espelho.

A anatomia dos bancos da frente é boa, mas falta regulagem lombar para se ter conforto em percurso longo. Regulagens elétricas do encosto e longitudinal do assento do banco do motorista estão na lista de opcionais da versão LTZ 2. Custa 10 mil reais, e inclui também alertas de colisão frontal e ponto cego,  permanência na faixa, farol alto que desvia o foco para evitar ofuscamento, indicador de distância do veículo da frente, estacionamento automático, partida sem chave e abertura de porta por aproximação.

Porta-malas é raso e suficiente para bagagens médias, sendo largo e alto. Arrumado, leva muita tralha. Pode ser aberto por controle remoto ou pela parte debaixo da tampa.

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Comandos

A maioria dos comandos está bem localizada. O senão vai para os comandos dos vidros no puxador da porta, um pouco recuados provocam acionamento involuntário do vidro traseiro. Os instrumentos redondos do quadro têm fácil visualização. Coluna de direção tem ajustes de altura e distância. Sente-se falta de material emborrachado no painel central, que usa plástico duro de boa aparência em tons de cinza médio e claro. Há apenas aplique couro acima do porta-luvas. Isso é pouco em versão de valor superior a R$ 100 mil.

Apesar dos bons números de potência e torque do motor 1.4 turbo, o desempenho não chega ser empolgante, principalmente nas ultrapassagens. O motor, que funciona suave em alta rotação, responde sem a agilidade esperada. Um pouco mais rápido seria o suficiente para empolgar. As trocas do câmbio automático também deveriam ser mais rápidas. Ambos não são imediatos. O fabricante declara apenas nove segundos para o carro atingir 100 km/h, com álcool. O comportamento dinâmico transmite segurança nas curvas, apesar de a carroceria inclinar. Controles de estabilidade e tração seguram o carro no limite de aderência. Freios bons, com disco nas quatro. Se o Cruze roda suave no asfalto liso, o mesmo não se aplica aos terrenos irregulares, como calçamento e asfalto ondulado, onde as imperfeições transmitidas para dentro sacolejam os ocupantes. O Cruze Sport6 tem o eixo traseiro 10% mais rígido do que o sedã.

Direção

A direção é leve em baixa e bem calibrada em alta. Falta apenas ajuste fino para que o motorista sinta que tem o carro nas mãos. Volante agrupa comandos de som e telefonia. O consumo de combustível depende fundamentalmente da pressão no pedal de aceleração. Se pisar, bebe. Sistema Stop&Start, que desliga e religa o motor em paradas, ajuda na redução do consumo e emissão. Os indicadores de ponto cego e veículo à frente funcionam bem assim como o de permanência na faixa. Sistema My Link tem tela táctil de oito polegadas, e navegador. Estão disponíveis os sistemas Android e Apple para smartphone. O sistema On Star tem outras funções além de emergência e segurança: monitora funcionamento de motor/transmissão, airbags, controles de tração e estabilidade, ABS, emissões e pressão dos pneus.

O Cruze Sport6 tem bom conjunto, com muita tecnologia e itens de conforto, conveniência e segurança (seis airbags). Longe de ter as 1.500 unidades vendidas mensalmente, conforme previsão do fabricante no lançamento do carro em dezembro, o Cruze Sport6 liderou o segmento dos hatches médios no primeiro trimestre do ano superando Golf e Focus. Foram vendidas cerca de 1.900 unidades nesse período. O preço da versão LTZ é de R$ 103.990 e, com todos opcionais, de R$ 113.990.

Ficha técnica

Motor
De quatro cilindros em linha, 1.4, flex, de 153cv (álcool) de potência máxima a 5.200rpm e 150cv (gasolina) a 5.600rpm e torque máximo de 24,5kgfm (a) a 2.000rpm e 24kgfm (g) a 2.100rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio automático de seis marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira com assistência elétrica

Freios
Disco ventilado na dianteira e disco sólido na traseira

Suspensão
Dianteira, independente, do tipo McPherson, com barra estabilizadora; traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
7×17”de liga leve /215/50R17

Peso (kg)
1.336

Carga útil (passageiros+ bagagem)
Não divulgado

Dimensões (metro)
Comprimento, 4,45; largura, 1,80; altura, 1,48; distância entre-eixos, 2,70

Porta-malas
300 litros

Desempenho
Velocidade máxima, não divulgada; aceleração até 100km/h, 9 segundos (álcool)

Consumo (km/l)
Urbano, 7,6 (a) e 11,3 (g); estrada, 9,3 (a) e 13,6 (g)

Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos