Dirigimos as versões Essence 1.6 e Sporting 1.8 Dualogic. Os motores
E.torQ não deixam dúvida: constituem avanço em todos os sentidos

Quando o Punto com os novos motores E.torQ foi lançado, em agosto, ficou a sensação de a Fiat tinha corrigido o maior defeito do modelo: os propulsores disponíveis até então estavam aquém do que o carro merecia. O Fire 1.4, que permanece disponível na versão Attractive, não proporciona bom desempenho à massa de cerca de 1,1 tonelada. O Powertrain 1.8, por outro lado, era beberrão, áspero e pouco potente em altas rotações, apesar de oferecer torque abundante em regimes mais baixos. O performático 1.4 Turbo surgiu em 2009, mas está disponível apenas no esportivo T-Jet, que não tem a pretensão de atingir grande número de compradores.

Ao dirigir o Punto E.torQ, a boa expectativa se confirmou. Os novos motores oferecem vantagens em todos os sentidos, quando comparados ao Powertrain 1.8. Foram adotadas quatro válvulas por cilindro e corrente no lugar da correia dentada, o que afasta o fantasma do rompimento.

ROSSOS Experimentamos dois exemplares quase da mesma cor: um Essence 1.6 16V, Vermelho Alpine e um Sporting 1.8 16V Dualogic, Vermelho Modena. A proximidade entre as duas tonalidades torna mais difícil diferenciar os dois modelos. Assim sendo, é bom ficar atento ao visual mais incrementado do Sporting, dotado de spoilers, faróis com máscara negra e rodas com detalhes escurecidos.

O 1.6 possui 115/117 cv de potência e 16,2/16,8 kgfm de torque quando abastecidos com álcool e gasolina, respectivamente. Até as 2.000 rpm, o propulsor mostra letargia. A partir daí, há muita força disponível para o condutor. No 1.8, a potência é de 130/132 cv, e o torque é de 18,4/18,9 kgfm. Não existe “degrau” nos primeiros regimes: o carro é esperto em qualquer faixa de rotação.

Avaliamos os veículos no trânsito urbano e em estradas duplicadas e vicinais. O Punto, que já contava com um bom isolamento acústico, ficou mais silencioso com os novos motores. Tampouco nota-se a existência de vibrações. O acerto de suspensão combina com o desempenho: o modelo é equilibrado e transmite segurança nas curvas, ainda que ao custo de transferir parte das irregularidades do piso para os ocupantes. E a posição de dirigir permanece boa como sempre. O acabamento agrada no geral, mas deixa a desejar em determinados aspectos, como no emprego de grande quantidade de plástico rígido no interior.

CÂMBIO Merecem ressalvas as opções de transmissão, tanto a manual quanto a automatizada (e não automática como a Fiat anuncia em sua publicidade). A primeira tem engates macios, mas um pouco imprecisos, e o curso da alavanca é longo. A segunda evoluiu desde que foi lançada, passando a ter funcionamento mais suave, mas os trancos nas mudanças de marchas ainda podem ser sentidos, principalmente quando se dirige de forma mais esportiva. É preciso algum tempo para adaptar-se ao Dualogic, e quem está acostumado aos câmbios automáticos convencionais logo sente a diferença. A solução para esse problema só deverá surgir quando as caixas automatizadas de dupla embreagem passarem a ser oferecidas nos automóveis nacionais. Por enquanto, só alguns importados possuem-nas. Nota-se, ainda, que o escalonamento de marchas, comum ao câmbio manual e ao automatizado, não é o mais apropriado para explorar as rotações dos motores.

Quanto ao consumo, os números são razoáveis, e não apontam diferença significativa entre o 1.6 e o 1.8. Na cidade, obtivemos médias que variaram de 6,5 a 7 km/l com etanol no tanque, e 8 km/l com gasolina. É importante observar que ambas as unidades estavam pouco rodadas (o Essence tinha menos de mil quilômetros registrados no hodômetro), o que sugere que as marcas podem melhorar no futuro.

O Punto sempre teve design esportivo. Agora, os propulsores, principalmente o 1.8, são capazes de fazer jus às linhas do modelo. É pena que o E.torQ tenha demorado a chegar: no mercado desde 2007, o modelo já tem a primeira reestilização marcada para o ano que vem (veja e ).

Ficha técnica
Punto Essence 1.6 16V

Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 4 válvulas por cilindro, gasolina/etanol, 1.598 cm³, potência máxima de 115/117 cv a 5.500 rpm e torque máximo de 16,2/16,8 kgfm a 4.500 rpm
Transmissão: Câmbio manual de cinco velocidades, tração dianteira
Direção: pinhão e cremalheira, hidráulica
Freios: Disco na dianteira e tambor na traseira, opcionalmente com ABS
Pneus: 195/60 R15 ou, opcionalmente, 195/55 R16
Carroceria: Hatch, quatro portas, cinco ocupantes
Dimensões (metros): Comprimento 4,03; largura 1,68; altura 1,50; entre-eixos 2,51
Peso: 1.170 quilos
Capacidades (litros): tanque de combustível: 60; porta-malas: 280

Ficha técnica
Punto Sporting 1.8 16V

Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 4 válvulas por cilindro, gasolina/etanol, 1.747 cm³, potência máxima de 130/132 cv a 5.250 rpm e torque máximo de 18,4/18,9 kgfm a 4.500 rpm
Transmissão: Câmbio manual ou automatizado de cinco velocidades, tração dianteira
Direção: pinhão e cremalheira, hidráulica
Freios: Disco na dianteira e tambor na traseira, com ABS
Pneus: 195/55 R16
Carroceria: Hatch, quatro portas, cinco ocupantes
Dimensões (metros): Comprimento 4,03; largura 1,68; altura 1,50; entre-eixos 2,51
Peso: 1.194 quilos
Capacidades (litros): tanque de combustível: 60; porta-malas: 280

Fotos Fiat/Divulgação

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