O sedã da Ford é um dos primeiros a oferecer a tecnologia
híbrida no Brasil, e aponta para um futuro sustentável

Nunca havia assumido o volante de um automóvel híbrido antes. Minha primeira experiência foi com o Fusion Hybrid. Ao pegar a chave, perguntei se não havia nenhum macete para dirigi-lo. “É normal, não há diferença”, respondeu um colega jornalista. “Você só vai achar estranho na hora de dar a partida, porque não vai ouvir barulho algum; apenas uma luzinha verde se acenderá na extremidade do painel, indicando que o carro está ligado”, concluiu ele. Dito e feito: o veículo permaneceu em silêncio enquanto era manobrado no estacionamento, movimentado apenas pelo motor elétrico. Quando ganhei a rua, acelerei um pouco mais para acompanhar o fluxo do trânsito, e então o propulsor à combustão entrou em ação.

Logo nos primeiros metros dirigindo o carro, já ficou evidente o funcionamento do sistema híbrido, que é composto por dois motores: um elétrico, com 107 cv e 22,94 mkgf, e outro à gasolina, de 158 cv e 18,76 mkgf. Em baixas velocidades e em situações onde não é necessário dispor de muita força, apenas o primeiro se mantém ligado. Quando o acelerador é mais exigido, o segundo é acionado. Tudo acontece automaticamente e na hora certa, sem qualquer tipo de tranco ou de retardo. Combinados, os dois propulsores levam às rodas 193 cv de potência e 41,7 mkgf de torque. E o motorista não precisa se preocupar com a recarga da bateria, que é alimentada automaticamente por um mecanismo de frenagem regenerativa. Sempre que os freios são acionados, a energia que seria dissipada é redirecionada e armazenada, para ser usada na impulsão do veículo.

PÓS-MODERNO Chama a atenção o quadro de instrumentos. Apenas o velocímetro é analógico. As demais informações são fornecidas por duas telas de LCD. Por meio delas, o motorista controla o funcionamento dos dois motores, o consumo instantâneo, a carga da bateria e a atuação do sistema regenerativo de frenagem. A emissão de poluentes também pode ser monitorada, graças ao EcoGuide, que exibe ícones de folhas em um visor à direita. Elas vão desaparecendo ou surgindo à medida que os gases emitidos pelo motor à combustão aumentam ou diminuem, respectivamente. Os instrumentos mais tradicionais, como marcador de combustível, termômetro de água do motor e indicador da posição da alavanca de câmbio, também estão presentes. É possível ainda escolher entre quatro modos de visualização, e alterar a quantidade de funções presentes no painel e a maneira como as mesmas são exibidas.

Os EcoGuide estimula a dirigir de maneira mais ecológica, pisando menos no acelerador. Porém, se o motorista der preferência para a performance, o carro não decepciona: o Fusion Hybrid oferece bom desempenho em qualquer faixa de rotação. Parte do mérito vai para a o câmbio automático CVT, suave e esperto ao mesmo tempo. O consumo foi coerente com a proposta de sustentabilidade, com médias de 10,5 km/l na cidade e 13 km/l na estrada. São boas marcas, principalmente quando se leva em consideração o peso de 1.687 kg do modelo.

A dirigibilidade satisfaz. Apesar de estar mais voltado para o conforto que para a esportividade, o Fusion Hybrid é bastante estável, e contorna curvas com precisão. E o rodar é sólido, sem transferência das irregularidades do piso para os ocupantes. O espaço interno, por sua vez, é generoso, mas só para quatro adultos. O banco traseiro não acomoda um terceiro passageiro com conforto. A capacidade do porta-malas decresceu de 530 para 405 litros, devido à acomodação da bateria que compõe o sistema híbrido no compartimento.

SEGURO No interior, o acabamento é bem cuidado e os equipamentos são condizentes com a categoria. Destaque para o pacote de segurança, composto por sete airbags, controle de estabilidade e freios ABS com EBD. Há ainda um dispositivo que faz com que pequenas luzes amarelas, localizadas nas lentes dos retrovisores, se acendam quando são detectados objetos nos chamados pontos cegos.

O sistema multimídia que a Ford denomina de Sync é item de série do Fusion Hybrid. Por meio de uma tela sensível ao toque, é possível manusear o ar-condicionado e o sistema de som, além do navegador por GPS. E quando a ré é engatada, são exibidas imagens captadas por uma câmera posicionada logo acima da placa traseira do carro. O recurso permite visualizar com precisão o espaço disponível para manobras, e torna a tarefa de estacionar muito fácil.

A versão híbrida custa R$ 133.900, e é a mais cara disponível no Brasil. Por enquanto, o modelo deve vender pouco, não só por causa do preço, mas também devido às incertezas quanto à manutenção do complexo sistema formado pelos motores elétrico e à combustão. A Ford oferece oito anos de garantia para a bateria, além dos três concedidos para os demais componentes. Mas, de qualquer forma, a idéia do fabricante não é fazer do Fusion Hybrid um recordista de mercado, e sim um carro de imagem, um dos primeiros a despertar a consciência ecológica do consumidor.

Ficha técnica

Motores: Gasolina, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 4 válvulas por cilindro, 2.488 cm³, potência máxima de 158 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 18,8 kgfm a 2.250 rpm.

Elétrico, dianteiro, transversal, com ímãs permanentes, potência máxima de 107 cv a 6.500 rpm e torque máximo de 22,9 a 3.000 rpm, bateria de 275V. Potência combinada de 193 cv a 6.000 rpm e torque combinado de 41,7 mkgf a 2.250 rpm.
Transmissão:
Câmbio automático CVT, tração dianteira
Direção:
Pinhão e cremalheira, com assistência elétricaFreios: Discos na dianteira e na traseira, com ABS e EBD e sistema de frenagem regenerativa
Pneus:
225/50 R17
Carroceria:
Sedã, quatro portas, cinco ocupantes
Dimensões (metros): Comprimento: 4,84; largura: 1,83; altura: 1,44; entre-eixos: 2,73Peso: 1.687 kg
Capacidades (litros): tanque de combustível: 66; porta-malas: 405

Fotos Marlos Ney Vidal/Autos Segredos

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