Configuração de entrada da linha up! apresenta melhor custo-benefício que as demais opções da linha, principalmente depois que os concorrentes ficaram mais caros

Alexandre Soares
Especial para o Autos Segredos

No mês passado, testamos a versão intermediária do up!, que agradou bastante (veja ). A versão de entrada Take up!, porém, traz várias diferenças: embora o conjunto mecânico seja exatamente o mesmo, o modelo é consideravelmente mais simples, com a abolição de vários itens, que vão desde as rodas de liga leve até a pintura dos retrovisores e das maçanetas externas… Por isso, vale dedicar uma atenção especial a essa configuração. Além do mais, o up! é um carro de entrada e estávamos curiosos para ver como a versão básica – uma espécie de entrada ao carro de entrada – se comportava.

Quem entra nas duas versões logo nota o despojamento do  Take up!: os bancos são revestidos com um tecido de padronagem mais simples, sem os bordados com o nome do modelo. O painel, em vez do padrão bicolor, é todo confeccionado de cinza-escuro. Até aqui, essas mudanças trazem mais malefícios visuais que funcionais, uma vez que o tecido do interior tem bom toque, ao passo que o painel mantém os encaixes bem-feitos e a ausência de rebarbas. O que faz falta mesmo é o conta-giros, até porque o motor gira suave, sem ruídos ou vibrações excessivas, e se o motorista não ficar com os ouvidos bem atentos, fará as trocas sempre em rotações muito altas, o que prejudicará o consumo. Diante de uma instrumentação tão simplória, é até surpreendente encontrar um útil termômetro do líquido de arrefecimento do motor, em formato digital: em vez de uma escala, ele indica diretamente o valor, em numerais, com escala de 10 em 10 (60°, 70°, 80°…).

No mais, a arquitetura interna é a mesma de todos os up!: os bancos têm assentos altos, para privilegiar o aproveitamento de espaço, que por sinal é ótimo. No habitáculo, quatro pessoas de média estatura viajam sem problemas. Os da frente gozam de bastante espaço. Atrás, não há tanta folga para os joelhos, mas tampouco haverá aperto. A situação só ficará desfavorável se três adultos ocuparem o banco traseiro: aí, os ombros e as pernas de todos ali sofrerão. Já o porta-malas, de 285l, está na média de outros compactos e chega a ser até grande para o modelo da Volkswagen, que é menor que todos os demais. Além do mais, o vão de entrada é grande. Porém, no take up!,  o sistema de ajuste variável de espaço (s.a.v.e.), uma espécie de divisória móvel que permite aproveitar melhor o espaço, uma vez que o compartimento é bastante verticalizado, é vendido como opcional… Outra falha é o batente da tampa sem proteção plástica, que expõe a lataria a danos durante as operações de carga e descarga.

À VONTADE O motorista desfruta de postura, pois o up! oferece ótima ergonomia. A posição ao dirigir é um meio-termo entre o Gol e o Fox em termos de altura, e é bastante agradável. A visibilidade é ótima para a frente e para os lados, mas para trás as colunas “C” mais largas restringem um pouco o campo visual e o resultado é apenas satisfatório. Por sua vez, os retrovisores são bem-dimensionados e cobrem grande área. O volante tem boa pegada, os instrumentos têm visualização fácil e os comandos do painel são bastante acessíveis. Porém, nem tudo é perfeito: a versão básica take up! não disponibiliza ajuste da altura do banco, enquanto a regulagem da coluna de direção, apenas em altura, é oferecida como opcional, atrelada à assistência elétrica e a outros pormenores. Ademais, os assentos são curtos e deixam as coxas sem o apoio adequado, uma falha típica de carros compactos.

No que diz respeito aos itens de comodidade, a lista de itens de série é bastante reduzida na versão take up!.  O modelo vem apenas com limpador e lavador do vidro traseiro, tomada 12V, alerta de faróis acesos e abertura da tampa traseira elétrica. Travas e vidros elétricos, ar-condicionado e direção elétrica são vendidos à parte. O modelo também não vem com qualquer item relacionado ao sistema de som: o cliente pode comprar opcionalmente apenas os alto-falantes ou toda a aparelhagem, que inclui rádio AM/FM com CD-player, bluetooth e MP3 player. Curiosamente, o equipamento traz entrada USB, que as versões mais caras, que acrescentam o kit multimídia Maps & More, não disponibilizam.

Já a lista de itens de segurança é mais completa, confirmando que a manutenção da integridade física dos ocupantes em caso de acidente é, de fato, uma das maiores qualidades do up!. De série, além dos obrigatórios airbags frontais e freios ABS, há ganchos para ancoragem de cadeirinha de criança padrão Isofix, acionamento automático do pisca-alerta em frenagens de emergência e cintos de segurança dianteiros com pré-tensionador e limitador de carga. Mas mesmo entre esses equipamentos, há duas ausências relevantes: a primeira é a do cinto de três pontos para o quinto passageiro, que já havia sido relatada pelo Autos Segredos durante o teste da versão move up!. A segunda éa do encosto de cabeça, para o mesmo ocupante, que absurdamente está presente nas configurações mais caras, mas não é oferecida nem como opcional na básica. É triste ver um projeto tão recente como o do up! sem itens tão elementares como encostos de cabeça e cintos de três pontos para todos. É verdade que os concorrentes diretos também não dispõem desses itens, mas isso não deveria justificar o descaso da Volkswagen…

PEQUENO E ATUAL A mecânica é a mesma exatamente a mesma do move up! que avaliamos há algum tempo. O motor 1.0 de três cilindros entrega 82/75 cv de potência a 6.250 rpm e 10,4/9,7 kgfm de torque a 3.000 rpm, com etanol e gasolina, respectivamente. A arquitetura inclui um cabeçote com 12 válvulas (quatro por cilindro), com comando de admissão variável, confeccionado em alumínio, material que dá origem também ao bloco. O sistema de partida a frio não traz o tanquinho de gasolina, mas esse propulsor traz correia dentada, que exige manutenção periódica. A unidade avaliada era equipada com câmbio manual, que manifestou seu comportamento eficiente de sempre, com engates macios e precisos e escalonamento correto.

Se a mecânica é a mesma do outro up! avaliado, o comportamento dinâmico foi igualmente digno de elogios: o hatch anda muito bem para um 1.0 e proporciona boas respostas em qualquer faixa de rotação. Em curvas, os pneus verdes, de baixo atrito, logo começam a cantar. Mas não se assuste com isso: apesar do barulho, o veículo continua “nas mãos” do motorista e só começa a dar sinais de subesterçamento após algum abuso. Ponto para o acerto de suspensão (do tipo McPherson na dianteira e por eixo de torção na traseira), mais durinho, que transmite parte das imperfeições do solo para o habitáculo, mas segura bem a carroceria. Ponto também para a direção com assistência elétrica, bastante progressiva, que deixa o volante sempre com o peso certo.

Outro bom resultado que se repetiu foi o consumo: o primeiro up! avaliado pelo Autos Segredos c cravou 14,2 km/l em circuito urbano e 19,6 km/l  em percursos rodoviários. Esse último se saiu um pouco pior na cidade, com médias de 13,8 km/l, mas em compensação gastou um pouco menos na estrada, na faixa de 19,8 km/l. Um empate técnico, portanto. As aferições foram feitas com gasolina com o ar-condicionado em uso durante parte do tempo. Nunca é demais lembrar que o gasto de combustível depende de vários fatores, como as condições do trânsito e das vias, o relevo e o estilo de condução do motorista.

CONCORRENTES FICARAM MAIS CAROS NO ÚLTIMO MÊS Com carroceria quatro portas e sem opcionais, um take up! custa R$ 28.900. Não é exatamente uma pechincha, é verdade. Porém, desde o lançamento do up! até agora, vários concorrentes tiveram os preços reajustados, de modo que o hatch de origem alemã não mais se sobressai de modo significativo em termos de preço. Um Fiat Palio Fire quatro portas custa a partir de R$ 26.790 e vem ainda mais pelado que o up!, pois não oferece Isofix e cobra à parte por limpador e desembaçador traseiro e pelos dois encostos de cabeça do banco de trás, vendidos juntos em um kit opcional chamado Celebration, que eleva o valor para R$ 27.810. Já o Celta, da Chevrolet, vem de série com  ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos, desembaçador e limpador traseiro e preparação para som, mas tem preço mais elevado, de R$ 32.490. Com os mesmos equipamentos, o up! vai para R$ 33.295. Diferença pequena, que nos dois casos, se justifica pelo projeto bem mais atual, pelo melhor resultado nos crash-tests e pela mecânica mais eficiente.

AVALIAÇÃO Alexandre Marlos
Desempenho (acelerações e retomadas)  7 8
Consumo (cidade e estrada) 10 10
Estabilidade  8 8
Freios  7 7
Posição de dirigir/ergonomia  9 8
Espaço interno  6 6
Porta-malas (espaço, acessibilidade e versatilidade)  7 7
Acabamento  6 6
Itens de segurança (de série e opcionais)  7 6
Itens de conveniência (de série e opcionais)  5
Conjunto mecânico (acerto de motor, câmbio, suspensão e direção) 8 9
Relação custo/benefício 8 7

FICHA TÉCNICA
» MOTOR
Dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 12 válvulas, 999 cm³ de cilindrada, potência de 82cv com etanol e 75 cv com gasolina,  a 6.000 rpm, e torque de 10,4 kgfm com etanol e 9,7 kgfm com gasolina, a 3.000 rpm.

» TRANSMISSÃO
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas.

» ACELERAÇÃO  ATÉ 100 km/h
12,4 segundos com etanol e 12,6 segundos com gasolina

» VELOCIDADE MÁXIMA (dado de fábrica)
165 km/h com etanol e 163 km/h com gasolina

» DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica (opcional)

» FREIOS
Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS

» SUSPENSÃO
Dianteira, independente, do tipo McPherson; e traseira, semi-independente, do tipo barra de torção

» RODAS E PNEUS
Rodas de aço estampado de 14 polegadas (opcionais), pneus 175/70 R14

» DIMENSÕES (metros)
Comprimento, 3,605; largura, 1,645; altura, 1,500; distância entre-eixos, 2,421

» CAPACIDADES
Tanque de combustível, 50 litros; porta malas, 285 litros; carga útil (passageiros e bagagem), 412 quilos; peso, 943 quilos

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Fotos | Marlos Ney Vidal/Autos Segredos